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25 de agosto de 2010

Plantas Parasitas


Primeiro a Monotropa uniflora ou planta fantasma, que tem este aspecto pois não possui clorofila (imagens da Wiki):
Monotropa_uniflora.jpg

cano_indiano.JPG

Monotropa_uniflora_vermelha.JPG

E agora as belas Afrothismia hydra e Afrothismia winkleri (créditos Vincent Merckx) que expõe para fora do solo suas flores:


Afrothismia_hydra.jpg

Afrothismia_winkleri.jpg

Agora, como plantas podem viver sem clorofila ou enterradas no solo? Parasitando. Pior ainda, parasitando parasitas. Muito da diversidade e riqueza vegetal se deve a fungos de solo e suas micorrizas, associações entre fungos e plantas, uma vez que eles fornecem às plantas água e nutrientes do solo e elas fornecem açúcares formados na fotossíntese.

Claro que nem sempre a associação é tão pacífica, e muitos fungos podem apenas captar recursos das plantas sem fornecer nada em troca. O que a planta fantasma e as Afrothismiaaí acima fazem é a chamada mico-heterotrofia, ou seja, as raizes destas plantas parasitam as hifas dos fungos que se associam a outras plantas (simbiontes ou parasitas).

Graças a este estilo de vida, elas não precisam mais produzir a própria energia e podem dispensar a clorofila e as folhas, e investir apenas em raízes e flores, para crescer e se reproduzir como todo bom parasita.

29 de junho de 2010

Controle de Cupins e outras Pragas

ciclo de vida dos cupins
 
A chegada das estações quentes e o início das chuvas é o período em que ocorrem as revoadas de cupins de madeira seca. Nessa época os insetos formam pares e se proliferam em orifícios de madeira, ideais para o desenvolvimento do ninho. Geralmente, o cupim aparece no final da tarde e é atraído pela iluminação para dentro das casas.
O controle doméstico do cupim pode ser feito tanto de forma preventiva quanto na fase pós-infestação do inseto. Para prevenir, pode-se aplicar um produto com a finalidade de acabar com o cupim ou antes mesmo da infestação. Após a ocorrência da praga, o produto deve ser colocado nos orifícios feitos pelos cupins por meio do método de injeção - para alcançar as galerias - e também com o pincelamento da peça atacada.
"O controle doméstico é recomendado apenas em caso de infestações de cupins e brocas de madeira. Se a infestação persistir ou aumentar ou se houver dúvidas quanto ao tipo de cupim, é fundamental que o consumidor solicite a inspeção de uma empresa especializada, devidamente registrada pela Vigilância Sanitária, para avaliar os danos e métodos de controle", explica Luis Macul, gerente da área de Saúde Ambiental da Bayer CropScience.

Uma colônia de cupim de madeira seca pode chegar a ter 3000 indivíduos após 15 anos.

Como identificar o tipo

Entre as espécies mais comuns que afetam os lares estão os cupins de madeira seca, que podem ser controlados pelo próprio consumidor, e os cupins de solo, que exigem o controle profissional – estes acabam com concreto! As diferenças entre as espécies podem ser facilmente identificadas.
"No caso de cupins de madeira seca, as pistas deixadas são pequenos orifícios em madeira com pó em formato de bolinhas ou serragem", afirma Antônio França, diretor da Tecnomad, empresa especializada no controle de cupins – hum, notei aí uma semelhança. Essa espécie demora anos para causar estragos de grandes proporções e geralmente está presente em objetos e mobílias isoladas da casa, como cadeiras, mesas, criados-mudos, entre outros.
Os cupins de solo não deixam apenas alguns caminhos de terra. São ágeis e quase imperceptíveis. "Quando identificados, já causaram estragos irreparáveis nos móveis. Como originam diretamente da terra, sua ocorrência é mais freqüente em armários embutidos ou objetos que apresentam contato direto nas paredes da casa", completa o especialista.

Um problema dos lares urbanos

Recentemente a PHC FOCO Análise Setorial realizou um estudo com cerca de 1200 moradores de condomínios, residentes nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Os resultados alertam para o fato de que, nos últimos 12 meses, 26% dos entrevistados relataram problemas com infestações de cupins.
As madeiras mais danificadas são as mais flexíveis como o pinus. Materiais como plástico, borracha ou metal, não são digeridos pelo cupim, mas também são destruídos porque estes ficam no seu caminho quando busca por celulose - madeiras, compensados, papéis e papelão.

Algumas medidas preventivas:
  • uso de madeiras tratadas nas construções e na montagem de móveis;
  • colocação de telas para prevenir a entrada de insetos nas estruturas internas das casas e construções. Uso de madeiras naturalmente mais resistentes;
  • proteção da superfície exterior das madeiras com tintas e vernizes;
  • tapar frestas e ranhuras onde os cupins possam se alojar.

Como se prevenir ou proteger das outras pragas?
 
O site do CCZ explica sobre: ratos, baratas, pulgas, carrapatos, moscas, aranhas, mosquitos (pernilongos), escorpiões, formigas, pombos, abelhas, lacraias, morcegos, vespas e taturanas. Clique aqui e informe-se como proceder caso um deles tenha invadido a sua praia.


Créditos: http://scienceblogs.com.br/xisxis/

20 de junho de 2010

Lagartas e Vespas: interações com formigas, mutualismo e parasitismo


O que você vê nesta imagem são duas lagartas da mariposa Liphyra brassolis, uma clara em cima e uma mais marrom embaixo (olha a cabeçinha e as antenas). Elas possuem este formato diferentes pois, como dá para perceber, atacam formigas. Estas lagartas fazem parte do grupo Lycaenidae, que possui uma série de interações com formigas, de mutualísticas, onde a lagarta fornece um líquido açucarado em troca de proteção, à predatórias (ocorre até a relação de parasitismo que já descrevi aqui no Rainha), como esta lagarta comedora de pupas.

A carapaça grossa protege contra mordidas e ainda impede que as formigas consigam virar a lagarta e atacar a parte de baixo, que é macia e vulnerável. Com esta defesa digna do Fanático, a larva de mariposa consegue crescer dentro de formigueiros e se alimentar das formigas jovens sem grandes problemas, causando grandes estragos.


Já esta bolinha branca sobre a ninfa de um fulgomorfo (parente do grilo) que se alimenta da cana-de-açúcar é uma lagarta da mariposa Epiricania melanoleuca. Diferente da grande maioria das lagartas herbívoras, esta se alimenta da hemolinfa do fulgomorfo. Não chega a matá-lo mas debilita o suficiente para que ele não se reproduza. O que é muito apreciado pelos criadores de cana, que chegam a espalhar lagartas como forma de controle biológico.



Esta bela e gorda lagarta não está decorada à toa. Cada algodão daquele pendurado na Maduca sexta (a lagarta da folha do tabaco) é um casulo de uma vespa Cotesia congregata. Cada vespinha foi depositada com cuidado dentro da lagarta e, com a ajuda de um vírus simbionte que destrói a resposta imune da lagarta, elas cresceram durante cerca de 14 dias liberando compostos que castram a Manduca e a fazem continuar no estágio de larva se alimentando e incapaz de sofrer metamorfose. Em alguns dias novas vespinhas adultas emergirão dos casulos.
Isso mesmo, para a Cotesia invadir a lagarta, ela utiliza um vírus que destrói as defesas do hospedeiro. Talvez diga também que é um príncipe herdeiro que precisa de uma conta para depositar seus ovos. Ou que achou fotos íntimas da Manduca e que basta ela clicar no meusovos.exe.


Já estas três vespas simpáticas não estão coversando nem se encarando. São fêmeas depositando ovos. Que ovos? Onde? As mamães buscam larvas de besouro da madeira Phoracantha recurva, que estão se alimentando dentro tronco de árvore q'ue está sob elas, para depositar seus ovos.
Mais do que isso. As mães sabem a qualidade da larva em que estão pondo ovos, e nas larvas mais novas, com cerca de 2 semanas, colocam apenas ovos de machos, que são menores e requerem menos recursos para crescer. Já em larvas mais velhas, como 5 semanas, preferem colocar mais ovos de fêmeas, que são maiores. Por aquele buraquinho na madeira.

Créditos: http://scienceblogs.com.br/rainha/

13 de junho de 2010

Metamorfose

Coloque a definição do vídeo para 720p e confira a Lagarta se tornar uma mariposa.




"Abaixo uma fotografia de uma outra mariposa (da mesma família) para ilustrar o quão peludas elas podem ficar."

(que bela imagem, não acham?)

Fonte.: http://scienceblogs.com.br/rainha/

10 de junho de 2010

Fotos: Peixes com mãos

Handfish são peixes de água salgada da região da Austrália vivem basicamente parados. São peixes de corais, que muitas vezes possuem apêndices na cabeça feitos para atrair a presa, e assim como seus parentes, os peixes sapo, têm nadadeiras adaptadas para suportar-se no mesmo local. Confira algumas fotos da NatGeo de espécies recentemente descobertas na Tasmânia. As cores chamativas ficam como aviso do veneno que eles costumam ter sob a pele: (Fonte: http://scienceblogs.com.br/rainha/).





23 de maio de 2010

Desenhos científicos - Imagens sensacionais

Confira alguns Desenhos Científicos ricos em detalhes e com altíssima qualidade, de autoria de Felipe Ribas. Realmente merece os Parabéns, imagens sensacionais!!  


clique nas imagens para ampliar
















Crânio

Mais informações/créditos http://scienceblogs.com.br/rainha/

17 de maio de 2010

O poder do Tomate

Muito bom!!
(via http://scienceblogs.com.br/quimicaviva/ )

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Tomates verdes, tomates vermelhos

Pelo menos no estado de São Paulo, onde se concentrou a maior parte da imigração italiana no início do século XX, molho de tomate é quase uma unanimidade. Em pizzas, massas, molhos, saladas, tomates são consumidos diariamente às toneladas. A produção anual brasileira é estimada em 3 milhões de toneladas, 77% da qual é para o consumo in natura - os 23% restantes são utilizados para a produção de polpa. Os principais estados brasileiros produtores de tomates são Goiás, São Paulo e Minas Gerais.

Tomates são ricos em carotenóides, tocoferóis e polifenóis. Os carotenóides são antioxidantes lipofílicos (solúveis em gordura), são precursores de substâncias aromáticas e exercem diversas funções bioquímicas nas plantas. Os tocoferóis também são antioxidantes lipofílicos. Já os polifenóis apresentam maior caráter hidrofílico (solúveis em água), principalmente quando ligados a moléculas de açúcares. Durante o processo de maturação, ocorrem diversas mudanças nos tomates que alteram sua composição de carotenóides, tocoferóis e polifenóis.

Em geral a concentração destas substâncias é maior em variedades selvagens (não cultivadas) de tomates. Observando variedades de tomates vermelhos, amarelos e verdes, verificou-se que as clorofilas a e b, bem como a feofitina, diminuem de concentração à medida que a variedade vermelha vai amadurecendo. Ao mesmo tempo, a concentração total de carotenos vai aumentando a partir do momento em que o amadurecimento se inicia até o seu ápice. Durante este processo, grandes quantidades de licopeno são sintetizadas e armazenadas na forma de cristais.

Já na variedade de tomate verde, tanto as clorofilas quanto a luteína como os carotenos diminuem de concentração durante o amadurecimento.

Tanto a espécie vermelha quanto a verde apresentam mudanças significativas a partir do início do amadurecimento. Ocorrem mudanças nas estruturas dos cloroplastos (organelas celulares responsáveis pela fotossíntese), e os genes responsáveis pela regulação da biossíntese de carotenos são ativados. Os tilacóides (sub-estruturas dos cloroplastos) incham, seus lipídios (gorduras) começam a se degradar, formando gotículas gordurosas com carotenóides livres ou ligados às gorduras. Este é um processo de senecência (envelhecimento) do tomate, que leva também a uma diminuição de sua quantidade de amido.

As mudanças que ocorrem no processo amadurecimento -> senecência levam a um acúmulo progressivo de licopeno, sendo que no tomate totalmente maduro a concentração de licopeno corresponde a 50% do total de carotenóides. Destes, a maior parte é de fitoeno, luteína e ß-caroteno. Como resultado da degradação do sistema de fotossíntese do tomate, ocorre uma mudança drástica na relação ß-caroteno/luteína: no início do amadurecimento esta relação é da ordem de 1,5, e no auge do amadurecimento esta relação se situa na faixa 0,37-0,69. Tais medidas podem ser úteis para se acompanhar, de maneira quantitativa, o processo de amadurecimento deste fruto.
No caso dos tomates verdes, estes não são desprovidos dos genes que regulam a formação de carotenóides. Porém, estes genes se encontram sub-expressos. Tal diferença também influencia no processo de maturação dos tomates verdes, que é fortemente influenciada pelo etileno, um hormônio vegetal. Em tomates verdes a produção de etileno é muito reduzida e, por isso, o fruto verde praticamente não amadurece.

À medida que o amadurecimento dos tomates acontece, ocorre uma diminuição significativa nos seus polifenóis.


Sumarizando, os frutos do tomateiro sofrem uma alteração bioquímica significativa durante seu amadurecimento, invertendo as quantidades de clorofila, tocoferóis, carotenóides e polifenóis. Quando ainda verdes, os tomates apresentam grandes quantidades de clorofilas, tocoferóis e polifenóis. Quando maduros, as clorofilas, tocoferóis e polifenóis praticamente desaparecem, restando grandes concentrações de carotenóides. Tomates vermelhos maduros apresentam significativa ação antioxidante, mas esta também se manifesta quando os frutos ainda estão verdes. Isso porque na fase verde a atividade antioxidante se deve aos polifenóis, mas na fase madura se deve aos carotenóides. No caso dos tomates verdes e amarelos, a atividade antioxidante se deve, sempre, à presença de polifenóis.

Tais mudanças influenciam diretamente a qualidade nutricional dos tomates e a maneira de consumi-los. Tomates verdes podem ser consumidos sem godura vegetal, como azeite de oliva. Já os tomates vermelhos devem ser consumidos com óleo vegetal, para um melhor aproveitamento de suas qualidades nutricionais.

Bon appetit!


Meléndez-Martínez, A., Fraser, P., & Bramley, P. (2010). Accumulation of health promoting phytochemicals in wild relatives of tomato and their contribution to in vitro antioxidant activity Phytochemistry DOI: 10.1016/j.phytochem.2010.03.021

30 de abril de 2010

Pressão Arterial

Em todo mundo milhares de pessoas sofrem pelos males causados pela hipertensão. Levando, consequentemente, à morte.
Neste primeiro post vamos entender um pouco mais sobre essa doênça. Suas origens e a comparação com outros animais. Na próxima semana teremos algumas informações sobre o controle e cuidados que todos devemos ter e quando aos agravados que essa ela pode causar (sobre tudo naqueles indivíduos que já tem predisposição para desenvolvê-la).

.........
Qual a semelhança entre as pressões arteriais de um cavalo, de um canguru, de um rato e de um pardal sabiá com a pressão arterial de um homem adulto?


Vamos lá...

A Origem da Pressão Arterial (parte I)

Por trás da pergunta aparentemente inocente, está uma questão que só pode ser respondida quando ampliamos o conhecimento médico com conceitos evolutivos, coisa pouco frequente.

A pressão arterial tem obviamente a função de perfundir tecidos e mantê-los metabolicamente ativos através do fornecimento de fontes energéticas e do próprio oxigênio; pode-se entender isso seja no nível celular ou microcelular (mitocondrial). Todos os animais citados e o próprio homem têm pressão arterial de 120 x 80 mmHg, independentemente da posição ereta ou prona. Em relação às aves, a coisa não difere muito. Seguem exemplos de pressão arterial média em mamíferos e aves:

 

Quando analisamos répteis, anfíbios e peixes temos uma surpresa. A tartaruga tem pressão arterial de 34x29 mmHg. Os sapos, em média, 35x24. Os peixes têm a PA medida na aorta ventral, tudo em mmHg, são exemplos: bacalhau (29x18); dipnóicos (40x25), salmão (81x48); truta (40x32); cação (30x24). Por que pressões tão baixas e nos mamíferos e aves, tão altas? A questão hidrostática parece realmente ser a determinante no caso da girafa, mas e quanto ao inexplicável peru? Essa ave "natalina" tem a mesma pressão da girafa e quando não frequenta os fornos de fim-de-ano não é infrequente morrer de rutura espontânea de aorta por hipertensão! A pressão de perfusão tampouco parece dar conta de toda a explicação. Se considerarmos a diferença entre a pressão sistólica e a diastólica, no caso do homem, temos 120 - 80 = 40 mmHg, que é a pressão de perfusão média do organismo. Por que uma pressão tão alta se poderíamos ter a mesma pressão de perfusão com 80x40 ou mesmo 40x0 mmHg como no caso dos peixes? 

A Origem da Pressão Arterial (parteII)

 
Tipos de cardiomiopatia. A hipertensão crônica pode causar a hipertrófica (HCM). O coração fica "musculoso" para vencer a alta pressão sistêmica. O problema é que os vasos que o nutrem, não "crescem" na mesma proporção.

Voltando ao nosso exercício evolucionário.

Quem respondeu metabolismo e homeotermia acertou parcialmente. Homeotermos gastam mais. Se o consumo de oxigênio de um peixe gira em torno de 1 mL/kg/min, um mamífero consome 4 a 8 mL/kg/min - 4 a 8 vezes mais. Um homem adulto em repouso consome 250 mL de O2/min, o que dá uns 3-4 mL/kg/min se tiver 70 kg. Morcegos 30 mL/kg/min, aves mais ou menos 10 mL/kg/min. Uma das alternativas evolucionárias para manter esse alto consumo foi o aumento do débito cardíaco, quantidade de sangue bombeada pelo coração em 1 minuto. Podemos dizer sem medo de cometer um erro grosseiro que o débito cardíaco de aves e mamíferos é aproximadamente 4 a 8 vezes maior que o de peixes, anfíbios e répteis. Com isso, ele dá conta do aumento do consumo, mas não explica o porquê das altas pressões. Qual seria a necessidade de trabalharmos com pressões sistêmicas tão estranhamente elevadas? Andamos em círculos!

Insisto na relevância disso pois, nessa questão reside não só a base evolucionária de, se não todas, pelo menos da grande maioria das doenças cardiovasculares, e também da compreensão do que é o choque circulatório. Então, qual é o conceito-chave que explicaria o aumento pressão arterial dos mamíferos e, consequentemente, do homem?

A Origem da Pressão Arterial (parteIII)

O aumento da pressão arterial de aves e mamíferos se faz através de um impressionante aumento da resistência circulatória dos animais de sangue quente. Esse aumento da resistência periférica é a alternativa mais "econômica" encontrada pela natureza para propiciar a redistribuição do fluxo de sangue. A tabela abaixo mostra a variação de fluxo sanguíneo regional no repouso e no exercício. O aumento do fluxo pode chegar a 20 vezes o valor de repouso. Como conseguir um aumento tão grande de fluxo economizando o máximo de energia? O aumento simples do débito cardíaco não seria a saída mais econômica por duas razões: a primeira é que várias regiões seriam perfundidas sem necessidade - apenas os grupamentos musculares envolvidos necessitam de maior suprimento. A segunda é que uma bomba capaz de aumentos abruptos de fluxo dessa monta teria que ter uma estrutura muscular muito maior que o coração dos mamíferos e aves atuais. Provavelmente, essa alternativa terminou num beco sem saída e nosso coração foi poupado de mais essa carga, mesmo assim, ainda nos causa muitos problemas!






Data on flow from Wade 0 L, Bishop J M. Cardiac output and regional blood flow. Oxford: Blackwell, 1962. It has been assumed that the arterial pressure rises from 100 to 130 mmHg (13.3 to 17.3 kPa) in exercise while the venous pressure remains approximately constant. Pressure = kPa; Flow = litres.min-1;Resistance = kPamin.litres-1

Com esse conceitos, entendemos perfeitamente o que é um choque circulatório; conceito que médicos de unidades de terapia intensiva explicam a familiares de pacientes com certa dificuldade. Não é para menos! Choque circulatório é quando essa capacidade de dirigir o fluxo de sangue para os mais variados orgãos, em especial, os músculos que são, em kilos, os maiores do organismo, é perdida. Isso gera muita fraqueza, hipotensão postural (queda da pressão na posição em pé), diminuição da diurese, entre outras alterações. A pressão costuma estar baixa, mas nem sempre. Claro, é uma questão de conteúdo e continente; quando a resistência circulatória cai, o continente aumenta para o mesmo conteúdo.

Referência: Harris, P. Evolution and the cardiac patient. Cardiovascular Research, 1983, 17, 373-378.

9 de abril de 2010

Nota Oficial do Ministério da Saúde sobre a Vacina contra Influenza A H1N1

Aqui na Bahia temos o menor índice de vacinados, os baianos estão com medo de se imunizar. Será que estão com medo dos  boatos que rolam na internet e no boca-a-boca nas ruas? 

"A nota também cita, muito superficialmente, o fato de que alguns médicos se posicionaram contra a vacina. O caso mais grave foi o da Sociedade Brasileira de Diabetes na figura do Dr. Ney Cavalcanti. É lamentável que um texto com opiniões pessoais sobre um assunto com as proporções da pandemia que ocorreu no ano passado possa figurar no site de uma sociedade tão importante como a SBD".


Sobre a histeria da vacina, o post definitivo saiu no Ceticismo Aberto. Não deixem de ler.



Nota na íntegra:




MINISTÉRIO DA SAÚDE SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE
Assunto: Esclarecimentos sobre a vacina contra Influenza H1N1


Em decorrência de boatos sobre a vacina contra Influenza H1N1 que circulam na internet, a Secretaria de Vigilância em Saúde preparou o questionário abaixo para esclarecer as dúvidas sobre a vacina e a estratégia nacional de enfrentamento da pandemia. Repasse o conteúdo ou o link deste documento sempre que você receber o material falacioso.


O mercúrio presente na vacina causa autismo em crianças?


Não. A concentração de mercúrio é de 25 microgramas por dose de 0,5ml e é usada para evitar crescimento de fungos ou bactérias, no caso de a vacina ser contaminada acidentalmente na hora da punção repetida no frasco multi-dose. Esse mesmo conservante é utilizado rotineiramente em outras vacinas, como na Tetravalente indicada contra Difteria, Tétano, Coqueluche, Meningite e na Tríplice Viral,vacina contra Caxumba, Rubéola e Sarampo.


O timerosal, conservante antiséptico presente na vacina, pode causar autismo em crianças com disfunção mitocondrial e em adultos com disfunção hematoencefálica.


Estudos realizados em todo o mundo demonstram que o timerosal,desde 1930, tem sido amplamente utilizado como conservante em uma série de produtos biológicos, incluindo muitas vacinas. O uso nas vacinas tem por finalidade evitar o crescimento de bactérias ou fungos (micróbios), quando esta é contaminada acidentalmente, como no caso de punção repetida no frasco multidose. A concentração do timerosal na qualidade de conservante é de 0.01%, contendo, aproximadamente, 25 microgramas de mercúrio por dose de 0,5 ml, condição que tem mostrado ser capaz de impedir o crescimento de micróbios. Vacinas com estes tipos de conservantesjá são utilizadas desde 1930. Algumas delas são: DPT, Tetravalente, Febre Amarela, Dupla Viral, Triviral, etc. Em 2004, o Instituto de Medicina dos Estados Unidos convocou um comitê de Revisão de Segurança em Imunização OIMs examinou a hipótese de que as vacinas, contendo timerosal estariam causalmente associadas ao autismo e comprovou que as provas disponíveis rejeitam a existência de nexo de causalidade entre vacinas contendo timerosal e autismo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) defendeu o conservante timerosal para o uso nas vacinas, baseando-se em estudos que concluíram não existir evidências de contaminação em crianças ou adultos expostos ao timerosal, e que as vacinas que contém essa substância não aumentam a quantidade de mercúrio no organismo, pois este é expelido rapidamente, não se acumulando em função de repetidas injeções. Em face ao exposto, a CGPNI/DEVEP/SVS/MS reforça a conduta orientada por diferentes instituições de reconhecida credibilidade, as quais preconizam que, até o surgimento de novas evidências, a quantidade de timerosal contida nas vacinas não causa autismo ou qualquer outro problema para as pessoas vacinadas, não acarretando, portanto, efeitos danosos.


A vacina contém esqualeno, substância que afeta o sistema imunológico do indivíduo.


Os adjuvantes são substâncias que estimulam a resposta imunitária, permitindo reduzir a quantidade de material viral utilizado em cada dose e conferir proteção de longa duração. São produtos entre os quais se incluem certos sais de alumínio e emulsões (esqualeno e seus derivados) que são utilizados na composição de vacinas. E não causam danos ao ser humano.


A vacina contém células cancerígenas de animais que podem causar câncer em humanos.


Não. Isso é boato irresponsável.


Indústrias farmacêuticas receberam imunidade judicial quanto a ações ocasionadas por efeitos da vacina, como morte e invalidez.

Não temos essa informação. Vale registrar que o Ministério da Saúde, Agência Nac. de Vigilância Sanitária (Anvisa) e os laboratórios produtores detentores do registro são responsáveis por registrar, acompanhar e avaliar os casos de eventos adversos associados à vacinação. O sistema de vigilância de eventos adversos pós-vacinal do Ministério da Saúde possibilita a identificação precoce de problemas relacionados com as vacinas distribuídos ou pós-comercialização, com o objetivo de prevenir e minimizar os danos à saúde dos usuários.



Não há comprovação de que somente uma dose da vacina seja efetiva.


Errado. Estudos comprovam que a vacina é efetiva com uma dose única. As crianças entre 6 meses e menores de 2 anos devem tomar duas meias doses da vacina contra a Influenza H1N1, sendo que a segunda meia dose da vacina é aplicada 30 dias depois da primeira meia dose, para estarem protegidas do vírus da Influenza H1N1.


A gripe pandêmica foi uma criação da indústria financeira, uma vez que surgiu em plena crise mundial. Ela foi criada só para favorecer os laboratórios farmacêuticos, que vão ganhar mais dinheiro com a fabricação e venda de remédio e vacinas.

A situação epidemiológica da gripe no mundo e no país é monitorada de forma sistemática e real. O Brasil utiliza de Sistema de Vigilância Sentinela de Influenza desde 2000. Atualmente com 62 unidades de saúde responsáveis pela coleta de amostras e organização de dados epidemiológicos agregados por semana epidemiológica (proporção de casos suspeitos de síndrome gripal (SG) em relação ao total de atendimentos - % SG). Este sistema possibilita também a identificação dos vírus respiratórios que circulam no país, das novas cepas, o que contribuiu incisivamente a identificação da situação epidemiológica da gripe sazonal e pandêmica, assim como a adequação da vacina contra influenza utilizada anualmente e neste momento da operacionalização da vacinação contra a influenza pandêmica H1N1. O monitoramento por este sistema identificou em 2009, que desde o surgimento da pandemia, aproximadamente 70% dos vírus respiratórios que causavam síndrome gripal era o vírus influenza pandêmica (H1N1) 2009. Em alguns países este percentual chegou até 100%. O simples surgimento de casos de gripe em varios países causado por um novo vírus, já caracteriza a pandemia. Recomenda-se o seguinte endereço www.saude.gov.br eletrônico para acesso aos dados epidemiológicos referente à influenza no país.



A gripe é uma paranóia difundida pela mídia e financiada pelos laboratórios.


Respondido no item anterior.


A gripe Influenza H1N1 foi criada em laboratório como o objetivo de gerar um genocídio.


Em 24 de abril de 2009, sexta-feira, a Organização Mundial da Saúde (OMS) notificou aos países membros a ocorrência de casos humanos de influenza para um novo subtipo, à época denominado de A(H1N1) que vinham ocorrendo, a partir de 15 de março, no México e nos Estados Unidos da América (EUA). No dia 29 de abril de 2009, após a realização da terceira reunião do Comitê de Emergência da OMS, conforme estabelecido no RSI 2005, a Diretora Geral da OMS, Dra. Margaret Chan, elevou o nível de alerta da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) da fase 4 para fase 5. De acordo com a OMS, a fase 5 significa a ocorrência de disseminação do vírus entre humanos com infecção no nível comunitário em pelo menos dois países de uma mesma região da OMS (neste caso as Américas). Desde 11 de junho, segundo a OMS, a pandemia passou à fase 6, ou seja, já havia disseminação da infecção entre humanos, no nível comunitário, ocorrendo em diferentes regiões do mundo. Esta situação cumpria o critério para definição de pandemia estabelecida no Regulamento Sanitário Internacional. A origem deste vírus já vinha sendo detectada em casos isolados nos Estados Unidos, sem provocar epidemias até então, portanto não se trata de uma criação em laboratórios. Todos os fatos que ocorrem no Brasil e no mundo são minuciosamente acompanhados por este Ministério, que vem se preparando para o enfrentamento de uma segunda onda pandêmica desde 2009.


Anafilaxia, reação alérgica potencialmente fatal, é uma reação adversa pós-vacinação.


Anafilaxia é um evento raro que pode ocorrer com o uso de várias substâncias ingeridas ou introduzidas por via parenteral (muscular ou endovenosa) no corpo humano, incluindo alimentos, remedios, vacinas, entre outros. Se caracteriza por uma reação alérgica sistémica, severa e rápida a uma determinada substância, se apresentando com diminuição da pressão arterial, taquicardia e distúrbios gerais da circulação sanguínea, acompanhada ou não de edema de glote. Pessoas que são altamente alérgicas a gema de ovo não podem tomar vacinas que são produzidas a partir de gemas de ovos embrionários, como a vacina contra a Febre amarela, gripe comum e influenza H1N1. Os profissionais de saúde são capacitados para identificar essas pessoas altamente alérgicas no momento em que procuram um posto de vacinação.


Há evidências da síndrome de Guillain-Barré em muitas pessoas que tomaram a vacina nos outros países do mundo.


Não existe esta evidência nos países que já realizaram ou estão vacinando contra a influenza pandêmica. A síndrome de Guillain Barré é um quadro neurológico que tem etiologias diversas. Alguns países tem notificado a ocorrência de casos dessa Sindrome à OMS após a vacinação, entretanto, até o momento não foram relatados casos em que tenha sido estabelecida uma associação de causa e efeito entre o uso da vacina e a sua ocorrência.


Centenas de casos de paralisia dos nervos estão sendo associadas a essa vacina. Até médicos já disseram que não vão tomar.


Ver resposta acima.


A vacina contém traços de neomicina.


Sim, a vacina produzida pelo Laboratório Sanofi Pasteur. A neomicina é um antibiótico indicado para infecção bacteriana provocada por estafilococos ou outros microorganismos susceptíveis a este princípio ativo.


A vacina que venderam para o Brasil é vacina encalhada.


Todas vacinas adquiridas pelo Brasil foram compradas diretamente dos laboratórios produtores e por meio do Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde - Opas/OMS. Em nenhum momento, o país comprou ou recebeu doação de outro país. As negociações de aquisição de imunobiológicos contra H1N1 foram realizadas em novembro de 2009, quando não havia ainda aumento da oferta da vacina por baixa utilização especialmente nos países da Europa e Asia.


Há evidências de má formação fetal em gestantes que tomaram a vacina.


A vacina contra o vírus influenza pandêmico (H1N1) 2009 é segura e indicada para a gestante em qualquer idade gestacional. Na vacinação realizada no hemisfério norte não houve nenhum registro de má formação fetal relacionada a vacina. Esta indicação foi ratificada pela Federação Brasileira de Associações de Ginecologia e Obstetrícia - Febrasgo. Até o momento, não há relato de ocorrência de nenhum prejuízo sequer para a mãe e/ou para o feto.