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18 de fevereiro de 2011

DNA de negros e pardos do Brasil é muito europeu

Estudo diz que cerca de 70% da herança genética nacional vem da Europa - Variação de região para região do país é baixa; cor da pele tem elo com poucos genes e, por isso, é parâmetro enganoso 

No Brasil, faz cada vez menos sentido considerar que brancos têm origem europeia e negros são "africanos". Segundo um novo estudo, mesmo quem se diz "preto" ou "pardo" nos censos nacionais traz forte contribuição da Europa em seu DNA.

O trabalho, coordenado por Sérgio Danilo Pena, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), indica ainda que, apesar das diferenças regionais, a ancestralidade dos brasileiros acaba sendo relativamente uniforme.

"A grande mensagem do trabalho é que [geneticamente] o Brasil é bem mais homogêneo do que se esperava", disse Pena à Folha.

De Belém (PA) a Porto Alegre, a ascendência europeia nunca é inferior, em média, a 60%, nem ultrapassa os 80%. Há doses mais ou menos generosas de sangue africano, enquanto a menor contribuição é a indígena, só ultrapassando os 10% na região Norte do Brasil.

QUASE MIL

Além de moradores das capitais paraense e gaúcha, foram estudadas também populações de Ilhéus (BA) e Fortaleza (compondo a amostra nordestina), Rio de Janeiro (correspondendo ao Sudeste) e Joinville (segunda amostra da região Sul).

Ao todo, foram 934 pessoas. A comparação completa entre brancos, pardos e pretos (categorias de autoidentificação consagradas nos censos do IBGE) só não foi possível no Ceará, onde não havia pretos na amostra, e em Santa Catarina, onde só havia pretos, frequentadores de um centro comunitário ligado ao movimento negro.

Para analisar o genoma, os geneticistas se valeram de um conjunto de 40 variantes de DNA, os chamados indels (sigla de "inserção e deleção"). São exatamente o que o nome sugere: pequenos trechos de "letras" químicas do genoma que às vezes sobram ou faltam no DNA.

Cada região do planeta tem seu próprio conjunto de indels na população -alguns são típicos da África, outros da Europa. Dependendo da combinação deles no genoma de um indivíduo, é possível estimar a proporção de seus ancestrais que vieram de cada continente.

Do ponto de vista histórico, o trabalho deixa claro que a chamada política do branqueamento -defendida por estadistas e intelectuais nos séculos 19 e 20, com forte conteúdo racista- acabou dando certo, diz Pena.

Segundo os pesquisadores, a combinação entre imigração europeia desde o século 16 e casamento de homens brancos com mulheres índias e negras gerou uma população na qual a aparência física tem pouco a ver com os ancestrais da pessoa.

Isso porque os genes da cor da pele e dos cabelos, por exemplo, são muito poucos, parte desprezível da herança genética, embora seu efeito seja muito visível. O trabalho está na revista "PLoS One".

3 de fevereiro de 2011

Acaba estoque mundial de endereços de internet (IP) disponíveis

O Icann, organização responsável pela distribuição de endereços IPs na internet, anunciou nesta quinta-feira (3) que esgotou o estoque central de 4 bilhões de endereços de IPv4, padrão utilizado até o momento, disponíveis para órgãos regionais. O IP (Internet protocol) é o ‘número’ que permite aos usuários se conectarem à internet. 
O marco ocorreu nesta quinta quando os últimos dois blocos de endereços (com cerca de 33 milhões de endereços) foram alocados no órgão de registro da internet da Ásia e do Pacífico. Agora, há apenas endereços reservas disponíveis em cada um dos cinco RIR (sigla em inglês para Registro Regional da Internet), órgãos que administram os endereços IPs em cada região do mundo.
Em um primeiro momento, isso não vai afetar o usuário final, impossibilitando, por exemplo, novas conexões de internautas à rede. No Brasil, segundo o NIC.br, responsável pela distribuição de endereços no país, a previsão é que os estoques durem até 2012.
No entanto, tanto o órgão brasileiro como o Icann (sigla em inglês para "Corporação para Atribuição de Nomes e Números na Internet") recomendam que provedores de conteúdo e de acesso iniciem a transição para o IPv6 – padrão de endereçamento que permite 2 elevado a 128 possibilidades. Número altíssimo comparado aos 4 bilhões do padrão anterior (IPv4).
O que fazer?
Segundo Raúl Echeberría, da NRO (órgão que reúne as entidades regionais que distribuem os IPs),os primeiros passos para mudança deverão ser feitos por empresas e governos. “É necessário que os provedores de acesso façam com que a conexão dos usuários migre para o IPv6, e que governos e provedores de conteúdo tornem as informações disponíveis para esse tipo de endereçamento”, disse em coletiva de imprensa sobre o anúncio.
Em comunicado explicativo, o NRO ainda pede que empresas comecem a migrar sistemas (como os de e-mail ou aplicações web) para o IPv6 e que fabricantes de hardware mostrem a seus clientes as vantagens da tecnologia.
Histórico
A internet, inicialmente, não foi criada para ser uma rede aberta. Os principais fins da rede era ser utilizada em universidades ou por órgãos militares. Porém, com a popularização, cada vez mais usuários foram tendo acesso à internet e esgotando os cerca de 4 bilhões disponíveis.
Apesar de o fim da faixa de endereços já ter sido prevista anteriormente, a tendência é que com o anúncio do Icann, as empresas do ramo comecem um processo de atualização.

Fonte: Folha Online

7 de novembro de 2010

"RADIAÇÃO EMITIDA PELOS APARELHOS É UMA "BOMBA-RELÓGIO"

QUEM NUNCA OUVIU ALGO SOBRE ISSO... 
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Vamos esperar os cadáveres para agir contra o celular? É O QUESTIONAMENTO DA PESQUISADORA AMERICANA QUE ENCABEÇA MOVIMENTO PARA CONTROLAR O USO DOS CELULARES AFIRMA QUE RADIAÇÃO EMITIDA PELOS APARELHOS É UMA "BOMBA-RELÓGIO"


A epidemiologista Devra Davis 

A epidemiologista Devra Davis lidera uma cruzada para fazer as pessoas deixarem o celular longe de suas cabeças. Convencida de que a radiação emitida pelo aparelho lesa a saúde, ela escreveu "Disconnect" (sem edição no Brasil), cuja base são pesquisas que começam a mostrar os efeitos dessa radiação no organismo. Nesta entrevista, ela também perguntou: "Vamos esperar as mortes começarem antes de mudar a relação com o celular?".


Folha - Quais os riscos para a saúde de quem usa celular?Devra Davis - Se você segurá-lo perto da cabeça ou do corpo, há muitos riscos de danos. Todos os celulares têm alertas sobre isso. As fabricantes sabem que não é seguro. Os limites [de radiação] definidos pelo FCC [que controla as comunicações nos EUA] são excedidos se você deixa o celular no bolso.

Quais os riscos, exatamente?

O risco de câncer é muito real, e as provas disso vão se avolumar se as pessoas não mudarem a maneira como usam os telefones. Trabalhei nas pesquisas sobre fumo passivo e amianto. Fiquei horrorizada ao perceber que só tomamos atitude depois de provas incontestáveis de que danificavam a saúde.
Reconheço que não temos provas conclusivas nesse momento. Escrevi o livro na esperança de que meu status como cientista tenha peso, e as pessoas entendam que há ameaça grave à saúde e podemos fazer algo a respeito.



Mas há estudo em humanos que dê provas categóricas?

Quando você diz "provas", você quer dizer cadáveres? Você acha que só devemos agir quando já tivermos prova? Terei que discordar.
Hoje temos uma epidemia mundial de doenças ligadas ao fumo. O Brasil também tem uma epidemia de doenças relacionadas ao amianto. Só recentemente vocês agiram para controlar o amianto no Brasil, apesar de ele ainda ser usado. Ninguém vai dizer que nós esperamos o tempo certo para agir contra o tabaco ou o amianto. Estou colocando minha reputação científica em risco, dizendo: temos evidências fortes em pesquisas feitas em laboratório mostrando que essa radiação danifica células vivas.



Qual a maior evidência disso?

A radiação enfraquece o esperma. Sabemos por pesquisas com humanos. As amostras de esperma foram dividas ao meio. Uma metade foi mantida sozinha, morrendo naturalmente. A outra foi exposta a radiação de celulares e morreu três vezes mais rápido. Homens que usam celulares por quatro horas ao dia têm a metade da contagem de esperma em relação aos demais.

Crianças correm mais perigo?
O crânio das crianças é mais fino, seus cérebros estão se desenvolvendo. A radiação do celular penetra duas vezes mais. E a medula óssea de uma criança absorve dez vezes mais radiação das micro-ondas do celular. É uma bomba-relógio. A França tornou ilegal vender celular voltado às crianças. Nos EUA, temos comerciais encorajando celular para crianças. É terrível. Fico horrorizada com a tendência de as pessoas darem celulares para bebês e crianças brincarem. Sabemos que pode haver um vício no estímulo causado pela radiação de micro-ondas. Ela estimula receptores de opioides no cérebro.

Jovens usam muitos gadgets que emitem radiação.
Sim, e eles não estão a par dos alertas que vêm com esses aparelhos. Não é para manter um notebook ligado perto do corpo. As empresas colocam os avisos em letras miúdas para reduzir sua responsabilidade quando as pessoas ficarem doentes.

É possível comparar a radiação de celular à fumaça?
Sim. O tabaco é um risco maior. Mas nunca tivemos 100% da população fumando. Agora, temos 100% das pessoas usando celular. Então, ainda que o risco relativo não seja tão grande, o impacto pode ser devastador.

Nos maços de cigarro, há aquelas fotos horríveis. Esse é o caminho para o celular?
Isso é o que foi proposto no Estado do Maine (EUA). Está se formando um grande movimento para alertar as pessoas a respeito dos celulares. Isso é o que aconteceu com o fumo passivo. Vamos começar a ver limites para a maneira e os locais onde as pessoas usam celular. A maioria não sabe que, se você está tentado conversar num celular em um elevador, a radiação está rebatendo nas paredes e fica mais intensa em você e em quem estiver perto.

Além de usar fones, o que é possível fazer para prevenir?
Enviar mensagens de texto é mais seguro do que falar. Ficar com o celular nas mãos, longe do corpo, é bom, e mantê-lo desligado também.

Mas celular é um vício!
Sim. Temos que usá-lo de forma mais inteligente.


Créditos.: FolhaOnline
DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

10 de setembro de 2010

Mosquito com alta imunidade vence parasita da malária


Resposta imune dos insetos foi estimulada pelos cientistas; eficiência foi de 100%

Créditos: FolhaOnline

Imagine erradicar uma doença transmitida por mosquitos fazendo com que eles desenvolvam imunidade capaz de destruí-la antes que a moléstia chegue às pessoas. Nesse sentido caminham os estudos de pesquisadores dos EUA, Índia e do Brasil. Eles estão analisando a resposta imune do mosquito Anopheles gambiae ao parasita que causa a malária -o Plasmodium. O Anopheles é o principal mosquito vetor da malária na África, onde está a maioria dos cerca de um milhão de infectados no mundo.
"Os Anopheles apresentam uma resposta imune natural ao Plasmodium, mas alguns parasitas conseguem completar o ciclo", explica o biólogo Fábio Brayner, que fez a pesquisa com Luiz Carlos Alves - ambos do CPqAM (Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães). O trabalho rendeu um artigo, publicado na revista "Science".

Os pesquisadores potencializaram a resposta imune dos mosquitos vetores da malária por meio de transferência da hemolinfa (equivalente ao sangue) de mosquitos infectados para sadios. A transfusão foi feita por micromanipulação. "Conseguimos inocular o volume de hemolinfa desejado em mosquitos sadios. Depois, esses receptores foram infectados pelo Plasmodium", explica Luiz Alves, do CPqAM. 

O resultado foi que, com o passar do tempo, 100% dos mosquitos estimulados responderam eficientemente. Mas ainda é cedo para se falar em erradicação da malária. "São necessários estudos moleculares para identificar os elementos envolvidos na destruição do Plasmodium", finaliza Brayner.

19 de maio de 2010

Efeito McGurk e a Importância da imagem na Interpretação do som

Antes de assistir ao vídeo abaixo, clique em play e ouça apenas o som, sem olhar para a tela. Depois assista a tudo de novo, olhando para a imagem.


Muitas pessoas se surpreendem ao escutar a palavra "babá" quando apenas ouvem o áudio, pois depois entendem "dadá" ao experimentar o áudio junto com o vídeo. (Algumas pessoas ouvem "gagá".) O truque é bastante simples. Consiste apenas em misturar o áudio do homem pronunciando B enquanto a imagem mostra seus lábios pronunciando D ou G.

Tão incrível quanto a simplicidade dessa ilusão auditiva, porém, é sua força. Não sei se acontece com todas as pessoas, mas eu posso repetir a brincadeira quantas vezes quiser que continuo ouvindo a letra D se o som estiver conjugado com a imagem. Mesmo estando consciente do truque, caio nele.

Esse tipo de ilusão é conhecido desde 1976, quando o psicólogo Harry McGurk o descreveu em um estudo na revista "Nature". Só agora, porém, cientistas começam a elucidar as bases neuronais do fenômeno.

Um experimento do neurocientista português António Damásio mostrou que imagens influenciam o sistema nervoso auditivo de modo muito particular. O pesquisador conseguiu mapear o cérebro de voluntários que assistiam a vídeos de músicos, animais e objetos produzindo sons. Essas imagens eram capazes de ativar um conjunto de neurônios tidos como exclusivamente auditivos, mesmo se o vídeo estivesse sem o áudio.

Segundo o neurocientista Kaspar Meyer, coautor de Damásio na nova pesquisa, essa é finalmente uma explicação para o incrível efeito McGurk, pois os neurônios responsáveis pelo fenômeno ficam em uma região do córtex que está diretamente ligada ao circuito nervoso que desemboca no ouvido. A ilusão, portanto, é processada no sistema nervoso em nível subconsciente.

Efeito McGurk à parte, a importância da imagem para a interpretação do som já é há muito tempo conhecida do pop, gênero musical cujo principal veículo de mídia é o videoclipe. Usar filmagens para acentuar o aspecto emotivo de uma canção é certamente uma coisa bacana, mas há quem acredite que os videoclipes acabaram desvirtuando esse propósito.

"Talvez a nova autoproclamada rainha do pop, Lady Gaga, se chame Lady "Baba" ou "Dada" e muita gente não esteja ouvindo direito."



Fonte.: http://laboratorio.folha.blog.uol.com.br/

12 de maio de 2010

Fissura na Grafia

Sírio Possenti, linguista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), concedeu por telefone uma entrevista excelente para a reportagem de capa do caderno Informática de 12 de maio.

Confira:

FISSURA NA GRAFIA
Acho que há uma fissura excessiva com o problema de grafia, de maneira geral. Acho que ela se deve ao fato de que é a única coisa, a rigor, que a maioria das pessoas sabe corrigir. Se elas leem um texto e veem um cê-cedilha que não deveria estar ali, dizem: “Esse texto está errado”. Mas elas não se dão conta, frequentemente, se o texto é incoerente, contraditório, incompleto, se o argumento é uma droga. A maioria não percebe.
SASHA
Um monte de gente corrigiu o “s” dela [em 2009, a filha de Xuxa escreveu “cena” com “s” no Twitter] e ninguém pensou, por exemplo, “como eu sou um idiota por seguir a Xuxa no Twitter”. [O sujeito] pensou que fosse um gênio porque tinha descoberto um erro de grafia, mas não se deu conta de que é um idiota porque a profissão dele é seguir a Xuxa no Twitter.
SAPATO MAL AMARRADO
Acho que há um equívoco brutal de abordagem dos fenômenos da linguagem, considerando que a grafia é uma coisa hiperimportante. Isso pega de cima para baixo, da intelectualidade brasileira até o povão. E acho que é um equívoco, porque deveria ficar claro para todo mundo que a ortografia, a rigor, nem é língua, é uma lei. Evidentemente, não tem como dizer que não é um erro, até porque está definido em lei, mas é um erro que não tem lá tanta importância. Devia ser visto como uma coisinha qualquer, como um sapato um pouco mal amarrado. Não devia merecer tanto interesse.
ABREVIATURAS
Sobre as abreviaturas, eu tenho dito coisas que acho óbvias. Uma é que elas sempre existiram em maior ou menor grau, e isso depende muito do contexto. Se você está anotando aula, você abrevia mais do que se você está escrevendo para um jornal. Se você está no computador, escrevendo um e-mail para o seu chefe, você abrevia mais do que se você escreve um livro. Não é que isso seja determinado, mas isso está associado ao contexto e ao tipo de suporte que você usa. E também ao tipo de interlocução. Por exemplo, usar a abreviatura em chat, para adolescentes, é um traço de identidade. Se eles escrevem tudo certinho, se sentirão como se fossem velhos. É um problema que, digamos, passa por vários lugares, mas não deveria ser visto apenas como um erro e muito menos como destruição da língua, porque isso seria achar que a grafia é a língua. O que seria uma grossa bobagem.
CLASSIFICADOS
Sabe qual é o argumento mais interessante sobre isso? Pegue um jornal como a Folha ou o Estadão, olhe os pequenos classificados e veja como eles estão escritos. Aí você vai ter uma ideia muito clara da relação entre o tipo de grafia e o tipo de texto que se está escrevendo. Ninguém usa as abreviaturas dos pequenos anúncios na primeira página ou no editorial. Mas também ninguém usa a grafia do editorial nos pequenos anúncios.
GÊNEROS E SUPORTES
Mal comparando, esses suportes eletrônicos, como celular para mandar recadinhos, ou Messenger, chat etc. são lugares nos quais as pessoas escrevem de uma maneira não pessoal, porque ela é muito uniforme entre os usuários, mas de uma maneira muito peculiar e associada exatamente a esses suportes e aos gêneros que se escrevem nesses suportes. Isso não é nem uma ameaça à língua —a língua nem fica sabendo disso— e muito provavelmente não é uma ameaça nem à escolaridade daqueles que fazem isso, até porque nada garante que quem escreve dessa forma no Twitter escreve assim quando escreve em outro lugar. Para dizer isso, seria necessário fazer uma pesquisa para ver se é verdade. Os professores, em geral, dizem que sim, que têm medo, mas os alunos, quando são entrevistados sobre isso, têm clara consciência de que uma coisa é uma coisa e de que outra coisa é outra coisa.
Escrito por Rafael Capanema - FolhaOnline: íntegra da entrevista com o linguista Sírio Possenti

28 de março de 2010

Receitas de antibióticos serão retidas nas farmácias

Olá pessoal,


...sei que já foi amplamente divulgado pelas mídias, mas essa informação é importante... transmita aos seus familiares e amigos.

"...Ainda neste ano de 2010, a compra de antibióticos só poderá ser feita mediante a apresentação de uma receita que será retida na farmácia ou drogaria".
 
 Ainda neste ano, a compra de antibióticos só poderá ser feita mediante a apresentação de uma receita que será retida na farmácia ou drogaria.

Anvisa poderá incluir antibióticos na lista de remédios controlados


Os termos e a forma de implantação dessa proposta serão submetidos a uma consulta pública pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no máximo em um mês, e a previsão é que ela entre em vigor em setembro.


Atualmente, a regra determina apenas que o paciente apresente a receita, mas ele pode ir embora do estabelecimento com ela. Mesmo essa exigência, porém, costuma ser descumprida, e o medicamento é vendido sem prescrição, como reconhece a própria Anvisa.


Esse foi um dos motivos que levaram o órgão a propor regras mais rígidas para a comercialização de antibióticos. O outro é evitar a automedicação e o uso incorreto, que podem tornar as bactérias resistentes aos medicamentos e dificultar o tratamento de algumas doenças e infecções.


"Sou totalmente a favor do controle. O Brasil tem um perfil bem peculiar de resistência a algumas bactérias, como alguns pneumococos e estafilococos, que não existe em nenhum outro lugar do mundo", diz Artur Timerman, infectologista da comissão de infecção hospitalar do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos e do Hospital Dante Pazzanese.


De acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apresentados ontem, mais de 50% dos pacientes tomam antibiótico apenas por um dia, o que indica uma baixa adesão ao tratamento. Isso pode tornar a bactéria mais resistente a esse tipo de medicamento. Outro problema é o uso de antibióticos para o combate a infecções virais.


"Os antibióticos são necessários para matar micro-organismos como as bactérias, mas têm vários efeitos colaterais indesejáveis. Além disso, em determinadas condições, seu uso pode estimular o desenvolvimento de bactérias mais resistentes. A nova regra é muito adequada, pois vai dificultar o uso indevido dos medicamentos e esses riscos associados", acredita Marcos Boulos, professor de moléstias infecciosas e parasitárias da Faculdade de Medicina da USP.


Restrição maior

A Anvisa também colocará os quatro tipos de antibiótico mais vendidos sob um controle ainda mais rigoroso.

São eles a azitromicina, o sulfametoxazol, a amoxicilina e a cefalexina, usados em mais de 1.500 medicamentos.

Farmácias e drogarias serão obrigadas a registrar os dados relativos a cada venda, como a quantidade e o nome do médico que fez a prescrição, como já acontece, por exemplo, com emagrecedores.


Presentes ontem em uma audiência pública sobre a proposta, integrantes do Conselho Federal de Medicina e da Sociedade Brasileira de Infectologia disseram aprovar as mudanças.


O representante da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias), Sérgio Barreto, afirmou que a sua entidade também está de acordo, mas criticou o SUS (Sistema Único de Saúde) por não disponibilizar todos os medicamentos de que a população precisa.


O presidente da Anvisa, Dirceu Raposo de Mello, respondeu dizendo que isso não retira dos estabelecimentos a obrigação de obedecer à legislação sobre a prescrição dos medicamentos. "A gente está discutindo essa regra porque ela é descumprida todos os dias.


Fonte: Folha Online

5 de novembro de 2009

Formiga de Marte?

Biólogo encontra formiga que viveu com os dinossauros

Espécie achada em mata em Manaus, que pode ser a mais antiga do grupo na Terra, tem mais de 100 milhões de anos. Descoberta é tão estranha que o famoso cientista americano Edward Wilson afirmou que o inseto deve mesmo é ser "de Marte" rsrs

Formiga achada no Brasil vista do alto; insetos que devem ter sido "pisados' pelos dinossauros

A formiga saúva que vive na Terra há "apenas" 5 milhões de anos- é novata perto da formiga pálida, sem olhos e de 3 milímetros que o biólogo Christian Rabeling achou na tarde de 9 de maio de 2003, nos arredores de Manaus. Esses insetos são tão velhos que os dinossauros devem ter pisado neles.
"Pode ser a espécie mais antiga viva, com mais de 100 milhões de anos", diz Rabeling, da Universidade do Texas, que assina artigo publicado hoje na revista "PNAS" descrevendo a espécie então descoberta.
O estudo mostra ainda como as formigas se diversificaram. A origem delas ocorreu entre 189 milhões e 115 milhões de anos atrás, em plena era dos dinos.
Em 2003, Rabeling fazia trabalho de campo em Manaus quando viu uma formiga muito estranha passeando pela serrapilheira (camada de folhas que recobre o solo na mata). Sem conseguir identificá-lo de imediato, o pesquisador coletou o animal para mostrar ao pesquisador Manfred Verhaagh, do Museu de História Natural de Karlsruhe, na Alemanha.
A espécie, disse o colega também alemão, era a mesma que ele e Marcos Gracia, da Embrapa da Amazônia, haviam descoberto na mesma região em 1998. Em um vôo para São Paulo, porém, a tampa do frasco com as formigas estourou. A espécie diferente ficou incógnita até a redescoberta de 2003.

continua... Fonte: FolhaOnline/UOL